Thursday, 22 October 2009

Alices na Vera-Cruz
























alicesnaveracruz.com

Tuesday, 15 September 2009

"onde tu estiveres"



de tanto cirandar, de tantos ares diferentes respirar, de tantas cores me entrarem por todos os poros da pele, a certeza que fica (além do cansaço rotineiro de fazer e desfazer malas) é uma única e singela: "lar doce lar" é onde estiveres comigo.

Sunday, 12 July 2009

metade da minha vida


hoje é dia de lembrar saudades. é dia de perceber que quando alguém morre, a falta que esse alguém nos faz nunca desaparece, nem diminui, nem acalma. apenas se transforma. se harmoniza com os restantes elementos do quotidiano. mas não desaparece, nem diminui, nem acalma. hoje é dia de saber que metade da minha vida foi vivida com ela e outra metade já existe sem ela. e ela está sempre presente. a falta que me faz não desaparece, nem diminui, nem acalma. apenas se transforma. às vezes aparecem borboletas brancas. às vezes acendem-se os candeeiros à minha passagem. acontece a todos, sei que sim. mas eu presto atenção. porque às vezes é para mim. e mesmo que a falta do riso e do abraço e do mimo de mãe-que-há-só-uma que não desapareça, nem diminua, nem acalme, hoje é dia de lembrar o último desejo realizado. 14 anos passados. e a saudade não desaparece, nem diminui, nem acalma.

Friday, 10 July 2009

Tus ojos


Tus ojos son la patria del relámpago y de la lágrima,
silencio que habla,
tempestades sin viento, mar sin olas,
Pájaros presos, doradas fieras adormecidas.
topacios impíos como la verdad,
otoño en un claro del bosque en donde la luz cantaen el hombro
de un árbol y son pájaros todas las hojas,
playa que la mañana encuentra constelada de ojos,
cesta de frutos de fuego,
mentira que alimenta
espejos de este mundo, puertas del más allá,
pulsación tranquila del mar a mediodía,
absoluto que parpadea,
páramo.


Teus Olhos

Teus olhos são a pátria do relâmpago e da lágrima,
silêncio que fala,
tempestades sem vento, mar sem ondas,
pássaros presos, douradas feras adormecidas,
topázios ímpios como a verdade,
outono numa clareira de bosque onde a luz canta no ombro
duma árvore e são pássaros todas as folhas,
praia que a manhã encontra constelada de olhos,
cesta de frutos de fogo,
mentira que alimenta,
espelhos deste mundo, portas do além,
pulsação tranquila do mar ao meio-dia,
universo que estremeca,
paisagem solitária.

Octavio Paz, in "Liberdade sob Palavra"
Tradução de Luis Pignatelli

Tuesday, 7 July 2009

L.O.V.E.

Monday, 6 July 2009

Ferdy

Estava eu sentada no meu sofá, navegando por aí sem rumo nem percurso definido, quando de repente aparece diante de mim este pequeno tesouro da infância. Lembram-se? Ferdy era apaixonado pela Joaninha Gwendoline e tinha um cão muito engraçado. Que inesperada surpresa! Não resisto a partilhar pelo menos o genérico. Quem conhece há-de gostar de recordar. 


video

Thursday, 25 June 2009

cinco mangas

Oito da noite (aqui os dias não são tão longos como em casa). Oito e pico. Ilha de Santiago, cidade da Praia. Café Sofia: esplanada. O computador ligado em cima da mesa absorve quase toda a minha atenção quando, de repente, sinto uma mão pequenina a puxar-me o vestido. “temos fome!” diz a porta-voz de quarto meninas de pele negra, negra, negra. Olho para cada uma delas. Uma ainda é bebé de fralda. Sorrio e digo: “não tenho dinheiro mas tenho mangas… querem?”. Abrem-se sorrisos e iluminam-se os olhos de todas elas. “Sim, sim!!!” A bebé faz que sim com a cabeça. Dou uma manga a cada uma. Agradecem e correm de volta para as brincadeiras, junto às mães que vendem pequenezas na praça. Passados poucos minutos, arrumam as coisas e vão embora. Todas elas me acenam, de mangas na boca, e sorriem. E eu sorrio de volta e digo “até amanhã!”.

E o sorriso não se desfaz. Porque a beleza está nos pequenos segredos, nas pequenas histórias, no imbatível encanto da simplicidade. Porque quarto meninas de pele negra, negra, negra deixam-me uma manga para eu comer também.

Sunday, 14 June 2009

Doroty e Semedo




Quando as palavras parecem pouco, costura-se a poesia 
à alma com asas doces e guitarra romântica. 

Friday, 12 June 2009

Dia dos Namorados


Aqui, os dias especiais são a dobrar...

(ilustração de Ana Oliveira)

Tuesday, 9 June 2009

Procurando Camões

Eu cantarei de amor tão docemente,
Por uns termos em si tão concertados,
Que dois mil acidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente.

Farei que amor a todos avivente,
Pintando mil segredos delicados,
Brandas iras, suspiros magoados,
Temerosa ousadia e pena ausente.

Também, Senhora, do desprezo honesto
De vossa vista branda e rigorosa,
Contentar-me-ei dizendo a menor parte.

Porém, pera cantar de vosso gesto
A composição alta e milagrosa
Aqui falta saber, engenho e arte.

Luís Vaz de Camões

(ilustração de fonte desconhecida)

Thursday, 4 June 2009

"Não se perdeu nenhuma coisa em mim"


Não se perdeu nenhuma coisa em mim.
Continuam as noites e os poentes
Que escorreram na casa e no jardim,
Continuam as vozes diferentes
Que intactas no meu ser estão suspensas.
Trago o terror e trago a claridade,
E através de todas as presenças
Caminho para a única unidade.

Sophia de Mello Breyner Andresen

(ilustração de Rachel Caiano)

Sunday, 31 May 2009

Praia - mercado - impressões





















Monday, 27 April 2009


Romantic Sweet Pea Mix
Lathyrus odoratus

Remarkable fragrance accompanies this mixture of butterfly-type blooms in shades of pink, rose, scarlet, orange, white, blue, lavender and purple. This prized annual grows to 60-72'' high. Expect your first blooms within 90 days from planting. CAUTION: Seeds and flowers are poisonous. Exercise extreme caution around children and pets.

Sow seed outdoor 6 weeks before las frost, 2'' deep and 3-4'' apart. Keep moist. Germination occurs in 14-21 days at 55-65ºF (13-18ºC). Thin seedlings to 9-12'' spacing. A few inches of mulch helps to keep the roots cool and prolong bloom. Pinch when 6-8'' tall to encurage denser branching and more flowers. Prefers rich, deep, loamy, moist, well-drained soil. Exporuse: Full sun.

Friday, 17 April 2009

Liberdade


Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...
 
                      Fernando Pessoa

Monday, 13 April 2009

Segue o teu destino


Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra 
De árvores alheias.

A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.

Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.

Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.

Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Ricardo Reis